Resenha | A abadia de Northanger, de Jane Austen

 

A abadia de Northanger, de Jane Austen

Livro: A abadia de Northanger 

Autora: Jane Austen

Editora: Martin Claret

Sinopse: “A Abadia de Northanger’ é, sem dúvida, um dos romances mais elaborados da época – uma comédia satírica que aborda questões humanas de maneira sutil, tendo como pano de fundo a cidade de Bath. O enredo gira em torno de Catherine Morland, que deixa a tranquila e, por vezes, tediosa vida na zona rural da Inglaterra para passar uma temporada na agitada e sofisticada Bath do final do século XVIII. Catherine é uma jovem ingênua, cheia de energia e leitora voraz de romances góticos. O livro faz uma espécie de paródia a esses romances, especialmente os escritos por Ann Radcliffe. Jane Austen faz um eloquente contraste entre realidade e imaginação, entre uma vida pacata e as situações sinistras e excitantes que os personagens de um romance podem viver."

 

A abadia de Northanger tem uma escrita direta e leve, onde Jane Austen abusa no deboche e na ironia para contar a história de Catherine Morland, nossa curiosa e inteligente heroína. Catherine tem uma vida monótona e sem aventuras até ser convidada por seus vizinhos, Sr. e Sra. Allen, à acompanha-los a Bath.

“A amizade é decerto o melhor balsamo contra as dores da decepção amorosa” (pág. 29)

Em Bath, Catherine é apresentada a uma vida agitada com diferentes companhias e uma delas torna-se sua grande amiga, Isabella Thorne. As duas nutrem uma paixão pelos romances e criam uma conexão quase instantânea, mas a Srta. Thorne tem uma malícia que a Srta. Morland não tem. Catherine é meio lerda!

“Não sei gostar dos outros pela metade; não é da minha natureza” (pág. 38)

Catherine e Isabella mantém uma rotina própria, rodeada de bajulação que beiram ao exagero, até que seus irmãos chegam a cidade, James Morland e John Thorne. James, igual a irmã, é muito ingênuo mas é uma companhia super agradável, diferente de John que só pensa e fala sobre si. Bem irritante mesmo! Ambos nutrem uma atenção especial às garotas. Eita, vai dar namoro?

Catherine, ignorante às atenções de John, só tem olhos para Henry Tilney, por quem se encanta ao manter conversas rápidas e inteligentes. Algo que chama atenção dado a frivolidade de personagens como a Sra. Allen que só fala de tecidos e roupas, sem trazer muito conteúdo de verdade. (Aqui podemos reconhecer que as críticas de Jane Austen era com luva de pelica!)

“Estava profundamente envergonhada de sua ignorância. Quando as pessoas querem ser simpáticas, devem sempre parecer ignorantes.” (pág. 113)

Isabella, aos poucos, começa a mostrar que é egoísta, interesseira e não tem respeito com a amiga. Isso é algo bastante chato de acompanhar, porque Catherine é totalmente ignorante e besta com o que está acontecendo. A sorte dela é a Srta. Tilney, com quem cria uma amizade sincera. (ouvi um amém?!)

E quando James toma coragem e assume seu amor pela Srta. Thorne, tem a aprovação da família e fica realizado, mas um terceiro elemento aparece na equação e tudo muda de perspectiva. Haja cara de pau! 👀

“- A senhorita tem uma ideia muito favorável da Abadia

- Tenho, sim. Não é um magnifico edifício antigo, como aqueles que encontramos nos livros?” (pág. 160)

E não menos importante, a abadia de Northanger entra em cena com um ar de mistério, suspense e muita imaginação de Catherine! Ela cria uma história terrível com o pobre General Tilney, pai de Henry. Mas será que ele é tão inocente assim? Tenho que assumir que tive medo desta parte do enredo, porque achei que o romance perderia o ritmo. O que não esperava é que a inocência de Catherine traria um ar de comédia gigantesca. Tive um pouco de vergonha alheia, mas com respeito!

Ah, Henry Tilney! O que podemos dizer? Catherine tem bom gosto! Simpático, inteligente e compreensivo. Ele não fez nada pela metade, trouxe racionalidade quando faltou um pouco de juízo, deu tranquilidade as preocupações dela, foi discreto quando precisou e tomou atitude sem pensar duas vezes. Mr. Darcy, corre aqui!

“Querida Srta. Morland, veja bem a natureza horrível da suspeita que teve.” (pág. 204)

O General Tilney não era tão bonzinho, afinal. E, de uma maneira controversa, sou grata a John Thorne. Quem diria?! Catherine passou por algumas emoções nada agradáveis que a fizeram ter noção da avareza das pessoas, algo bem educativo. Fiquei imensamente feliz que ela teve o apoio da família no momento que precisou, isso parece ser um ponto em comum nas obras da escritora. 
 
Jane Austen foi ousada, o deboche esta presente em cada palavrinha bem articulada e ela ainda faz questão de conversar com o leitor! O mais interessante (para mim!) foi quando ela afirmou que "era um charme para os homens a mulher ser ignorante" sem elaborar muito. A resposta fica subentendida quando ela deixa claro que alguns desejam sim algo mais do que a ignorância no sexo feminino (Alô, Henry!). Ela é ácida, mas tem a compostura de florear suas críticas. Sinceramente? Eu gostaria de ter sido sua amiga, tenho a impressão que ela entenderia todas as minhas piadas!

“Ele lhe garantiu o seu amor; e solicitava em troca aquele coração que, talvez, os dois igualmente soubessem ser todo dele” (pág. 252)

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A abadia de Northanger, de Jane Austen

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